Como tornar seu comércio acessível para pessoas com deficiência visual

foto de camisas dependuradas em cabides com a imagem embasada.

Existem cerca de 6,5 milhões de pessoas cegas e com baixa visão no Brasil, de acordo com o censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2010. Por descaso ou falta de informação, esse público consumidor nem sempre é contemplado pelas empresas e pelos comércios. Você já se questionou se a sua loja atende bem essas pessoas? Nesse artigo, vou te dar algumas dicas de como tornar seu comércio acessível para pessoas com deficiência visual.

Quer conferir tudo comigo? Então, acompanhe a leitura!

Livre-se dos preconceitos

Pode ser que você nem se dê conta, mas se você teve nenhum ou pouco contato com pessoas com deficiência, há uma grande chance de você carregar pensamentos equivocados sobre essa parcela da população. Quando receber esse público no seu comércio, lembre-se de que antes da condição física, aquele indivíduo é um ser humano. Ele possui sonhos, desejos, qualidades e defeitos. Portanto, trate-o como um consumidor que precisa de um atendimento de qualidade com algumas especificidades.

Treine os colaboradores

Os funcionários da sua loja ou estabelecimento precisam passar por um treinamento para atender o público com deficiência visual  de forma correta. Cada estabelecimento possui uma especificidade, mas o fundamental é entender que pessoas com deficiência visual se utilizam de outros sentidos para avaliar um produto, entre eles o tato, a  audição e o olfato.

Atrativos visuais também são importantes, e, por isso, devem ser descritos pelo atendente Pessoas cegas podem precisar de uma informação mais detalhada sobre o produto, como a descrição de uma roupa, por exemplo. As pessoas com baixa visão, por sua vez, possuem uma acuidade visual maior e podem ter necessidade de se aproximar dos produtos e de auxílio para ler rótulos e etiquetas.

Para conduzir uma pessoa cega, deixe-a segurar em seu braço. Nunca a puxe por alguma parte do corpo e nem a coloque na sua frente. Fique tranquilo para usar verbos como ver, assistir, olhar e enxergar. Para mostrar aspectos de algum produto, deixe-a tatear por conta própria e só intervenha se a pessoa solicitar. Para explicar direções e endereços, diga “a sua esquerda”, “a sua direita” “para frente” e “para trás”. Nunca use referências vagas, como para lá, para cá, perto ou longe.

Na dúvida sobre como se dirigir ou como ajudar, pergunte diretamente à pessoa com deficiência visual e não ao acompanhante. Ela sabe e pode responder por conta própria.

Permita a entrada de cão-guia

O cão-guia, assim como a bengala, é um instrumento muito importante para a independência e autonomia da pessoa cega. Ele recebe um treinamento rigoroso e responde a comandos específicos. Por lei, a entrada do animal é permitida em todos os tipos de estabelecimentos, seja ele público ou privado, incluindo farmácias, lojas, padarias e restaurantes.

Ele é um cão de trabalho, mas também tem seu momento de lazer. No entanto, quando ele está guiando a pessoa cega, não o toque nem o distraia, a não ser que o dono permita. Eu sei, eles são uma fofura, mas como ele está trabalhando, uma simples distração pode colocar a pessoa cega em risco.

Use o desenho universal

O desenho universal é um conceito que leva em consideração o desenvolvimento de produtos, ambientes, programas e serviços para todas as pessoas, sem e com deficiência, sem necessidade de adaptação ou projetos específicos. Mas atenção: isso não exclui os recursos de acessibilidade.

Viu como é fácil tornar seu comércio acessível para pessoas com deficiência visual? Agora que você já leu o nosso artigo, pesquise a legislação federal e da sua cidade para saber quais são as normas de acessibilidade a serem seguidas. Pessoas cegas, por exemplo, necessitam de materiais acessíveis, como cardápios em braille ou em formato digital. Outra boa prática, principalmente em lojas de roupa, é fornecer etiquetas das roupas com a cor da peça e o tamanho em Braille.

Gostou do nosso artigo? Continue com a gente em nosso blog e confira mais dicas para você empreender!

____________________________

Gustavo Torniero está sentado e segurando um copo.
Este artigo é uma colaboração do amigo jornalista Gustavo Torniero. Ele é profissional de comunicação e ativista com forte presença digital, principalmente no Twitter.

Você Pode Gostar Deste Artigo

0 comentários