Ela usou o trabalho manual para transformar dores em cores


Gita segura um cordão colorido feito com sementes.

Nada melhor que começar o ano com uma boa história para inspirar, não é verdade? E essa é muito especial, pois traz muita superação. Hoje, conto para você a história da carioca Gita Coelho, que usou o trabalho manual para transformar dores em cores. 

E então, quer conferir comigo essa grande história? Continue com a leitura do artigo!

Os primeiros passos com os trabalhos manuais



Gita começou a fazer trabalhos manuais depois que a sua terapeuta indicou a atividade para ajudar no tratamento da Síndrome do Pânico. A doença, embora não tenha cura, é controlada, e foi o que impulsionou a carioca a mudar de vida.

As peças começaram a ser criadas por Gita em 2005, quando a empreendedora teve a sua primeira crise de pânico. Antes, a atividade era apenas parte da terapia que ajudava a mudar o foco dos sintomas que a Síndrome trazia. Mas aí, aconteceu algo interessante, pois um dia, uma amiga viu as peças da carioca, gostou dos modelos e encomendou.

“Foi a partir deste momento que virei empreendedora, mas ainda não tinha me dado conta disso. E, assim, em 2017 comecei a trilhar no caminho do empreendedorismo de forma mais profissional e me tornei Microempreendedora Individual (MEI). Criei uma marca, uma logo, registrei tudo no INPI e comecei a participar de eventos para conhecer o mercado e descobrir o meu público alvo”, recorda.

Em seguida, a empreendedora criou um site para falar um pouco da sua marca e também uma loja virtual para vender seus produtos.

A arte de produzir biojoias


O trabalho de Gita é criar e produzir artesanalmente bijuterias. São biojoias feitas com tudo que ela pode transformar em arte.

“Utilizo sementes, cascalhos, cápsulas de café, canela em pau, cristais, folhas secas, pedras de cachoeira, enfim, tudo que posso transformar em minhas peças”, enfatiza.

O empreendedorismo e o seu significado


Para Gita, o empreendedorismo é a oportunidade de trabalhar com o que ela aprendeu a amar: arte x criatividade. É a possibilidade de transformar dores em cores e aliar a beleza, sustentabilidade e a consciência ambiental.

“Empreender não é uma coisa fácil, mas é completamente possível. É preciso ter foco, paciência, buscar conhecimentos (conhecer seu público alvo, a concorrência e o mercado). Tem que estar ligado e amar o que você faz”, afirma.

E para começar a empreender de verdade, Gita participou de vários eventos. Depois estudou tudo que aparecia nas mídias sociais e aprendeu a divulgar seu produto.

“Fiz alguns cursos no Sebrae para MEIs, cursos de ourivesaria no SENAC e percebi que o mercado é para todos, mas para isso, a capacitação é fundamental”, ressalta.

A marca de bijuterias recebeu o nome “Feito por Gita – Designer de Joias” e se tornou uma empresa de acessórios sustentáveis que hoje ajuda o planeta.

A luta diária contra a Síndrome do Pânico


Lutar contra a Síndrome do Pânico não é uma tarefa fácil. Segundo Gita, a primeira crise foi rápida. Ela conta que sentiu como um ataque cardíaco. Correu para a clínica médica e saiu de lá sem um diagnóstico preciso. Depois, durante, dois meses continuou com alguns sintomas estranhos.

“Eu não conseguia ficar muito tempo em lugares cheios, tinha taquicardia, medos indefinidos e até sensação de estranhamento. Até uma amiga me falou para eu procurar um psiquiatra, pois poderia ser a Síndrome do Pânico. Fui diagnosticada e comecei a tomar alguns medicamentos. Em um ano eu já estava bem, com a vida normal”, lembra.

No entanto, dez anos se passaram e a carioca se deparou no mesmo enredo. Os sintomas do problema retornaram e ela já os identificava. Foi quando procurou ajuda médica e retornou ao tratamento para ter forças e enfrentar o problema.

“Na terceira crise, decidi que nunca mais passaria por isso. Então, aprendi tudo o que podia sobre a doença, seus sintomas e, principalmente, seus gatilhos. Ao pesquisar os sintomas, percebi que de 28, sentia 25. E alguns eram bem estranhos... Entrei em um grupo chamado Síndrome do Pânico e comecei a ler alguns depoimentos. Ali encontrei sintomas semelhantes e comportamentos similares”, recorda.

Com isso, a carioca identificou todos os sintomas e começou a buscar pelo autoconhecimento. Assim, conseguiu identificar quando as reações surgiam e pode administrá-las antes de entrar em pânico.

“Foi aí que eu entendi que tudo começava com um processo de ansiedade, que se avolumava e pronto! Lá se instalava o pânico! E isso era uma coisa muito louca. Eu sentia queimação, parecia que o meu corpo pegava fogo. Depois descobri que isso era uma descarga de adrenalina. Aí eu corria e pegava o aparelho de pressão, o que é um comportamento comum de quem sofre com o pânico. Nesses momentos, apresentava pressão alta e ficava apavorada, corria para o hospital”, afirma.

Por meio do grupo que frequentava, Gita descobriu que essa era uma queimação comum.Segundo ela, era um dos sintomas que muitas pessoas relatavam. Assim, a carioca se sentiu mais segura e a sensação já não causava mais desespero quando surgia.

“Eu estava determinada a conhecer e a combater a Síndrome do Pânico. Tanto que depois de um tempo percebi algo interessante que foi confirmado pelo neurologista que me acompanhava. A medida em que eu reconhecia os sintomas, me sentia mais segura. Assim, o meu cérebro para me avacalhar enviava outros sintomas aliados aos que eu já tinha. No entanto, o medicamento com a terapia, a yoga, a espiritualidade, os exercícios físicos e a arte das bijuterias me ajudaram a entender que dá para ser feliz, apesar da Síndrome do Pânico”, diz.

Enfrentando a Síndrome do Pânico com o empreendedorismo


Tenha sonhos e ame o que faz


Para Gita, empreender não é uma coisa tão simples como às vezes as pessoas postam na Internet ou dizem por aí. No entanto, é possível e viável. Encarar as dificuldades se torna mais fácil quando você ama o que faz. 

Conheça e reconheça seus limites


Não vá além do que você consegue realizar. Isso não é covardia, mas sabedoria.

“Entenda que embora não seja fácil encarar uma Síndrome do Pânico, quando você descobrir o seu potencial criativo, seu cérebro terá outras informações para te enviar, e você se verá envolvido (a) em outras coisas além do pânico. Fácil não é, mas é possível”, finaliza.

Agora que você conferiu a história de Gita, que usou o trabalho manual para transformar dores em cores, sabe que é possível vencer a Síndrome do Pânico, não é verdade? Portanto, que tal você focar em uma atividade que te dá prazer e te ajuda em suas batalhas pessoais? Tenha fé, capacite-se, lute e siga em frente!

E você, como o empreendedorismo tem ajudado em seu dia a dia? Compartilhe a sua experiência nos comentários!



Você Pode Gostar Deste Artigo

0 comentários